Roger Penske, proprietário da equipe de mesmo nome, admitiu que Josef Newgarden venceu as 500 Milhas de Indianápolis de 2024 com o atenuador considerado ilegal no carro. O uso da peça modificada rendeu punição severa ao piloto americano e a Will Power, que terão de largar da última fila na edição deste ano da clássica corrida da Indy.

O atenuador, como o nome indica, serve para reduzir o impacto na traseira depois de bater ao muro — a peça completa a parte de trás até o “rabicho” do carro. A parte final da peça possui uma pequena protuberância, que, com a passagem do ar, gera arrasto aerodinâmico. É esse detalhe que a Penske modificou, tentando deixar a peça mais lisa possível, visando ganho de desempenho.

O caso caiu como uma bomba, e a situação ganhou contorno ainda mais polêmico depois que jornalistas que acompanham de perto a categoria visitaram o museu do Indianápolis Motor Speedway e constaram por fotos que o carro de Newgarden também continha o atenuador alterado.

Em entrevista ao canal Fox Sports, Penske foi sincero quando questionado se era verdade. “Diria que sim”, respondeu.

Josef Newgarden venceu a Indy 500 no ano passado (Foto: Indycar)

“Tínhamos nove atenuadores que foram modificados pela Dallara no início de 2024 e rodaram nos carros nos últimos 15 meses”, acrescentou, explicando, no entanto, que a peça não estava presente em todos, como o de Scott McLaughlin.

“Também compramos carros mais novos, que estavam no mesmo lote, por isso que McLaughlin não teve problemas com o carro”, continuou Roger, que se defendeu ao argumentar que os carros passaram por rigorosa inspeção após a vitória de Newgarden e foram considerados legais.

“Do meu ponto de vista, quando se pensa sobre os atenuadores e o que aconteceu, minha pergunta é: o que faríamos? Sabemos que essa situação não foi correta da perspectiva dos oficiais no domingo [da classificação], mas quando volto a 2024, aquele carro foi desmontado peça por peça em detalhes após a corrida, e foi dito que era completamente legal para a vitória”, concluiu Penske.

Entenda o caso:

Na segunda-feira após a classificação da Indy 500, a categoria anunciou que Newgarden e Power largariam em 32º e 33º, respectivamente, por violação do artigo 14.7.8.16 do regulamento. A dupla nem pôde dar voltas no Fast 12 por conta de irregularidades no atenuador dos carros.

Além de mover os pilotos para o fundo do grid, a Indy também anunciou a suspensão dos estrategistas de time dos dois carros até o fim das 500 Milhas de Indianápolis. Os pilotos não coletarão os pontos dados na classificação e receberam uma multa de US$ 100 mil (cerca de R$ 564 mil na cotação atual).

O caso, claro repercutiu entre os pilotos. Ainda no último dia de classificação, Pato O’Ward — que perdeu a Indy 500 em 2024 para Newgarden — defendeu a desclassificação dos dois carros da Penske, não somente do domingo. O mexicano indicou que, certamente, o atenuador já estava modificado no sábado, quando Newgarden e Power se classificaram ao Pole Day, e defendeu que os competidores do time de Roger Penske disputassem o Bump Day. 

A Penske, por sua vez, aceitou a punição, mas demitiu Tim Cindric, presidente do time na Indy, Ron Ruzewski, diretor-administrativo, e Kyle Moyer, diretor-geral, em decorrência do caso do atenuador adulterado.

As 500 Milhas de Indianápolis acontecem domingo (25), com largada a partir das 13h (de Brasília, GMT-3), com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO. O pole-position será o novato Robert Shwartzman, da Prema.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ LEIA MAIS: Penske aceita punições de Newgarden e Power na Indy 500: “Decepcionados”
▶️ LEIA MAIS: Penske mancha Indy 500 com novo escândalo e coloca lisura do campeonato em xeque
▶️ LEIA MAIS: O que é o atenuador e por que gerou polêmica na punição aos carros da Penske