A estreia dos carros Gen4 da Fórmula E, na temporada 2026/27, deve exigir mudanças importantes no circuito de Tóquio. Pelo menos esse é o pedido dos pilotos. Na avaliação de Nico Müller e Mitch Evans, o traçado atual já apresenta limitações para os modelos Gen3 Evo e precisará passar por adaptações para continuar recebendo a categoria elétrica nos próximos anos.
Tóquio entrou no calendário da Fórmula E em 2024 e já recebeu cinco corridas até o momento. Apesar da importância do mercado japonês para a categoria, os pilotos acreditam que o traçado montado ao redor do centro de convenções Tokyo Big Sight precisa ser remodelado para acomodar carros maiores e mais rápidos.
Müller foi o mais enfático ao apontar os problemas do desenho atual. O suíço destacou especialmente as irregularidades do asfalto na curva 7 e afirmou que o primeiro setor, da forma como está atualmente, não comporta os novos carros.
“Precisamos de mudanças bastante significativas. Já neste ano, com esses carros, a curva 7 era muito acidentada. Meu cotovelo ficou roxo. Nem é uma ondulação, é praticamente um buraco enorme pelo qual você passa, e a sensação já não é boa”, afirmou.
“Com os carros maiores da Gen4, não será possível fazer o primeiro setor do jeito que é hoje. A parte final da pista também já é estreita demais. Correr em Tóquio é absolutamente fenomenal e queremos voltar, mas estou curioso para ver quais opções existem”, completou.
Evans compartilhou da mesma opinião. O neozelandês afirmou que modificações são inevitáveis e citou tanto as ondulações quanto a largura reduzida de alguns trechos como obstáculos para a nova geração.

“Modificações precisam ser feitas, isso não tem dúvida. Existem alguns grandes desníveis, a pista é estreita demais em alguns setores e os carros Gen4 só mostram todo o potencial em circuitos maiores. Até mesmo com os Gen3 já parece apertado em determinados momentos. Deve haver planos para modificar o traçado, mas não sei até que ponto isso será possível”, explicou.
Apesar das críticas, Evans fez questão de destacar a relevância da etapa japonesa para a Fórmula E e reforçou que espera uma solução conjunta entre Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e categoria.
“É importante estarmos em Tóquio. É um mercado muito importante, um ótimo lugar para correr, mas precisamos garantir que a pista seja compatível com o produto. Além disso, será também a etapa final da temporada. Vou deixar isso nas mãos da FIA e da Fórmula E para encontrarem a melhor solução”, encerrou.
Essa opinião não se limita apenas a Evans e Müller. António Félix da Costa já havia se destacado anteriormente que o traçado montado na região da Baía de Tóquio é “muito apertado” e que manter a corrida no local “não seria benéfico a ninguém”. A tendência de migração da Fórmula E dos circuitos urbanos que caracterizaram a categoria para pistas permanentes é algo que vem sendo debatido há meses e se confirmou com a divulgação do calendário provisório da próxima temporada.

Além da manutenção dos autódromos que a categoria já visitou na atual edição — Hermanos Rodríguez, Jarama e Xangai —, houve três adições para a primeira temporada da era Gen4: Circuito das Américas, Zandvoort e Brands Hatch.
O caso de Tóquio chama atenção porque, além de manter a prova no mesmo local, a etapa foi escolhida como sede da decisão do campeonato. Os circuitos de Sugo e Fuji chegaram a ser cogitados como nova casa da etapa japonesa, mas a categoria decidiu apostar em fazer mudanças no traçado para seguir na capital.
A Fórmula E retorna entre os dias 15 e 16 de agosto, com a última etapa da temporada 2025/26, a rodada dupla do eP de Londres. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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